Uma viagem pelo Vietnã

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Uma viagem pelo Vietnã

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Imagine um país longo, em forma de S, onde terraços de arroz verde-esmeralda, paisagens marinhas de calcário e antigas cidades imperiais ficam a poucas horas de voo ou de trem umas das outras. Eis um roteiro do norte ao sul.

Baía de Ha Long e Baía de Lan Ha

A viagem começa no nordeste, onde quase 2.000 rochedos e ilhotas de calcário emergem de águas verde-jade. Um cruzeiro com pernoite é a maneira clássica de conhecer o lugar: você desliza por grutas marinhas e vilas de pescadores flutuantes, rema de caiaque por lagoas tranquilas e vê os penhascos dourarem ao pôr do sol. Para fugir das multidões, escolha a Baía de Lan Ha, com o mesmo cenário e um clima mais sereno.

Sapa e as Terras Altas do Norte

Siga para o interior, rumo às montanhas próximas à fronteira com a China, onde terraços de arroz transformam as encostas em escadarias verdes (douradas por volta de setembro e outubro). Caminhando entre as aldeias dos povos Hmong e Dao, você passa por bosques de bambu e vales enevoados, e pode dormir na casa de uma família local. Em dias limpos, a vista alcança o Fansipan, muitas vezes chamado de “Telhado da Indochina”.

O Bairro Antigo de Hanói

A capital é uma cidade milenar de lagos, bulevares coloniais franceses e vielas emaranhadas, ainda organizadas pelos ofícios que um dia abrigaram. Visite o Templo da Literatura, fundado em 1070 como a primeira universidade nacional do Vietnã, e depois sente-se num banquinho de plástico com uma tigela de phở ou uma xícara de café de ovo enquanto as motos passam em fluxo constante.

Hué: a Cidade Imperial

Às margens do Rio Perfume fica a antiga capital da dinastia Nguyễn, a última família a governar o Vietnã. Dentro das muralhas da Cidadela estão a ornamentada Cidade Imperial Púrpura Proibida, portões cerimoniais e pátios silenciosos, muitos deles marcados pela Ofensiva do Tet e cuidadosamente restaurados desde então. Logo fora da cidade, os túmulos reais de imperadores como Khải Định e Tự Đức unem arquitetura, pinheirais e lagoas de lótus.

Hoi An, a Cidade Antiga

Mais ao sul, no litoral central, este porto comercial tombado pela UNESCO parece um museu vivo. Pontes cobertas japonesas, salões de assembleia chineses e casas de comerciantes cor de mostarda enfileiram-se à beira do rio, e à noite milhares de lanternas de seda brilham sobre a água. A cidade também é famosa por seus alfaiates, que fazem uma roupa sob medida em um ou dois dias, e por aulas de culinária baseadas em pratos como o cao lầu.

Delta do Mekong

Termine no sul, onde o rio se espalha num labirinto de canais, pomares e mercados flutuantes. De manhã cedo, em Cái Răng, barcos carregados de abacaxis, melancias e batatas-doces negociam suas mercadorias numa cena que quase não mudou ao longo de gerações. Deslize pelas hidrovias estreitas sob os coqueirais, e o ritmo de toda a viagem desacelera até acompanhar a correnteza.

Uma reflexão final

Poucos países carregam um passado tão pesado quanto o Vietnã. O país enfrentou mil anos de domínio chinês, um século de colonização francesa e depois décadas de guerra devastadora, em que apenas o conflito com os Estados Unidos deixou milhões de mortos, cidades bombardeadas e paisagens envenenadas pelo Agente Laranja e semeadas de munições não detonadas. Ainda assim, o Vietnã de hoje impressiona pela forma como leva essa história consigo. A cidadela de Hué foi reconstruída pedra por pedra, antigos campos de batalha viraram terras de cultivo e trilhas turísticas, e uma população jovem e ambiciosa transformou a nação numa das economias mais dinâmicas da Ásia desde as reformas Đổi Mới, de 1986.

O que fica na memória de muitos viajantes não é amargura, mas acolhimento. Pessoas que viveram os capítulos mais duros costumam receber os visitantes com curiosidade aberta e disposição para olhar adiante. O Vietnã não esconde suas cicatrizes, mas também não deixa que elas definam o horizonte. Seu avanço é menos uma história de esquecimento do que de resiliência: um país que lembrou de tudo e, mesmo assim, escolheu continuar construindo.

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