Fim das bets vira gol contra?
Torcida do Flamengo vai às ruas, e o governo corre para socorrer os clubes
eyesonbrasil
A poucos dias do primeiro turno, a proibição das apostas esportivas abriu uma crise entre o Planalto e o futebol brasileiro.
A medida provisória assinada por Lula em São Paulo, em 25 de setembro, tinha um objetivo declarado: proteger a população dos efeitos das apostas. O efeito colateral chegou rápido. A MP pode derrubar uma das principais fontes de receita de pelo menos 14 dos 20 clubes da Série A.
O Flamengo tem muito a perder. O clube fechou com a Betano o maior contrato de patrocínio do futebol brasileiro, que deve render R$ 895 milhões até o fim de 2028. Antes da MP, o clube já argumentava que empresas autorizadas pelo governo investiram e firmaram contratos com base na lei então em vigor.
O clima azedou quando Lula, ainda antes da assinatura, respondeu à pressão dos times em ato de campanha, citando que clubes liderados por Corinthians e Flamengo diziam que o futebol acabaria sem as bets. No domingo (27), grupos de flamenguistas protestaram contra o presidente, com faixas e palavras de ordem contra a reeleição.
Do outro lado, o governo tenta apagar o incêndio com um pacote de R$ 20 bilhões em auxílio aos clubes. Adversários de Lula chamaram a medida de “oportunismo eleitoral”, mas evitaram se opor à proibição em si.
O que o torcedor pode esperar
A MP ainda precisa passar pelo Congresso, e é lá que o desfecho será decidido. O auxílio ainda é uma proposta em preparo, sem detalhes de como seria distribuído. Já a receita que os clubes perdem de patrocínio é concreta e terá de ser substituída por outras fontes.
O voto salva o clube?
Nenhum voto presidencial, por si só, resolve o caixa do Flamengo. O clube tem outras receitas fortes, como direitos de TV, bilheteria, Libertadores e venda de jogadores, e a MP terá de ser votada pelos parlamentares. O torcedor que quiser influenciar o desfecho tem mais peso cobrando seus candidatos a deputado e senador do que escolhendo um presidente por causa das bets. Vale também acompanhar o que os candidatos propõem de concreto sobre o tema, porque a maioria criticou o método, não a proibição.










