O dia em que a bolsa brasileira quebrou: quem mais perdeu

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O dia em que a bolsa brasileira quebrou: quem mais perdeu

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Na segunda-feira, 26 de outubro, um dia depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, a bolsa brasileira viveu um de seus piores pregões da história. O Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, depois de cair até 17,34% em relação ao fechamento anterior. A B3 suspendeu as negociações por 30 minutos, o primeiro circuit breaker desde março de 2020.

Um pregão histórico

Segundo a Bloomberg, mais da metade das ações do índice caiu dois dígitos. O golpe foi mais forte onde os investidores mais haviam apostado. Antes da votação, as ações brasileiras estavam quase 7% acima do nível anterior ao primeiro turno, na esperança de um aperto fiscal sob Flávio Bolsonaro. As perdas de segunda-feira apagaram tudo isso e mais.

A reação dos analistas foi rápida. O JPMorgan reduziu sua recomendação para a moeda e os juros do Brasil de overweight para market-weight, e o Bradesco BBI rebaixou sua visão para as ações brasileiras para neutra.

As maiores perdedoras

Movimentos no fechamento de segunda-feira, segundo levantamentos da imprensa brasileira:

Logística e locação de veículos, queda de mais de 50%. A Simpar liderou as perdas, com 64,86%. A Movida perdeu 60,53%, a Vamos 56,79%, a Armac 53,12% e a JSL 50,32%. São negócios muito endividados, por isso juros mais altos os atingem diretamente.

Varejo, queda de 47% a 64%. A Magazine Luiza caiu 58,23%. A Lojas Quero-Quero perdeu 63,93%, o Grupo SBF 51,42%, a Pague Menos 48,25% e a C&A 47,47%. O varejo foi um dos setores que mais se beneficiaram do rali antes da eleição.

Saúde e indústria. A Hapvida caiu 54,93%, a Taurus Armas 51,14% e a Cosan 46,73%.

Financeiras, queda de mais de 30%. A XP caiu cerca de 45%, e Banco do Brasil, BTG e Inter recuaram mais de 30% cada. A B3, a própria operadora da bolsa, perdeu 36,28%. As ações de bancos haviam disparado depois do primeiro turno, quando o BTG subiu 22,5% em um só dia.

As sobreviventes relativas. As ações preferenciais da Petrobras caíram 8,18%, pouco diante do restante do mercado. Ainda é uma perda grande, mas exportadoras de petróleo e empresas com receita em dólar foram amortecidas pelo real mais fraco.

Por que essas ações

O fio condutor é a sensibilidade aos juros e à demanda doméstica. As small caps, muito influenciadas pelas expectativas de juros, tiveram uma liquidação histórica. A Bloomberg informou que o índice de referência de varejistas e construtoras caiu 30%, a maior queda já registrada. Empresas com muita dívida, exposição a crédito ao consumidor ou valuations que pressupunham juros em queda foram reprecificadas com mais força. Os investidores agora esperam pouco espaço para cortes de juros e juros reais mais altos por mais tempo.

O que pode vir a seguir

Alguns analistas veem o movimento como exagero. O Wells Fargo chamou a reação imediata de “exagerada” e espera medidas fiscais iniciais para conter os riscos. O Tesouro brasileiro também anunciou a recompra de títulos prefixados para acalmar o mercado de renda fixa. Os principais sinais a observar são a escolha de Lula para o Ministério da Fazenda e seu plano fiscal. Uma escolha crível pode fazer parte das perdas de segunda-feira parecer excessiva, sobretudo nas small caps mais vendidas. Uma escolha decepcionante provavelmente manterá a pressão.

Estas são informações gerais e não constituem recomendação de investimento. Os preços estão voláteis, consulte uma fonte atualizada antes de agir.

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